sábado, 9 de fevereiro de 2013

QUAIS SÃO AS MÚSICAS PARA CANTAR NO RETIRO ESPIRITUAL DA SUA IGREJA?

Ou será retiro espiritual?
Geralmente, as equipes de músicas, ou, "os ministérios de louvor" das igrejas em geral, preferem músicas que sejam mais agitadas, alegres, ritmadas, dançantes e com muita animação, afinal de contas, muitos visitantes estarão presentes. Precisamos de um repertório que seja de domínio público, que esteja nas paradas de sucesso da Som Livre, já que ela engoliu a MK publicita e levou alguns dos seus artistas principais. Precisamos de musicas que mexam com o coração das pessoas, que façam elas gritarem, pularem, baterem palmas, assubiar, chorar, dizer bem alto AMÉM todas as vezes que o "ministro" de louvor falar uma frase de efeito.

Diante de tudo isso, tenho tenho tido a impressão que os cânticos para adoração nos cultos de retiros espirituais estão começando a entrar no esquema do carnaval. Aliás, para que retiro, não é mesmo? Vamos para a frente de batalha. Vamos "evangelizar" no carnaval. Vamos organizar blocos evangélicos e desfilar na avenida gritando: ESTA CIDADE É DE JESUS, ou: REI, REI, REI... JESUS É O NOSSO REI.

Veja bem, não sou contra a realização de retiros espirituais. Mas, a começar pelas musicas os nosso retiros espirituais estão se adequando ao ritmo do mundo. Não me surpreenderei se souber que já existem retiros com marchinhas de carnaval ou com samba enredo no período de louvor. Já que a minha área é música, então, segue aqui algumas orientações importantes sobre motivações dos que são músicos e cantores e o que cantar no retiro espiritual de sua igreja.

1. Lembre-se, mesmo que você não esteja no templo, ainda sim, estará solenemente em um culto a Ele. Não é o templo que define a solenidade do culto, mas o ajuntamento do todos os crentes seja qual for o local (em um salão, uma casa, na praça, debaixo de uma árvore, etc.). Deus está em todo lugar, ou você se esqueceu disto?

2. Por que você vai para o retiro de sua igreja? Para azarar as garotas ou os rapazes? Para fazer pose no momento em que estiver tocando, cantando ou "ministrando" o louvor? Ou, você vai ao retiro para realmente prestar um culto conforme ele prescreveu na Sua Palavra?

3. Por que você vai para o retiro de sua igreja? Não tem nada para fazer no feriado, ou, por que realmente você deseja aprender e estudar as Escrituras? Aliás, este é o propósito do retiro e de qualquer culto solene que se realiza. Em geral, as pessoas acham que retiro é para fugir do carnaval, do pecado e das tentações. Mesmo que esteja à kilômetros de distância da bagunça do carnaval, ainda sim, provavelmente você vai pecar contra Deus em pensamentos, atitudes e palavras.

4. Quanto as músicas para o retiro, não cante o que está na moda, mas cante músicas que ensinem as Escrituras. É claro que a equipe precisa ser dinâmica e criativa para envolver as pessoas na participação do canto congregacional. Entretanto, você e seus companheiros de ministério são apenas condutores da congregação. Pare de se comportar com se fosse uma estrela da música pop ou um desses artistas gospel do mercado negro da música evangélica.

5. Pare de usar jargões e comentários prontos nos intervalos de cada música. Não imite os trejeitos e manias de seu artista preferido. Isto é no mínimo ridículo! De preferência, não comente nada e no máximo leia apenas um texto bíblico coerente com o que será cantado. Seus comentários kilométricos podem ruir o objetivo central do culto que é A PREGAÇÃO DA PALAVRA. Se tem alguém que deve comentar, explicar e aplicar alguma coisa da Bíblia é o PREGADOR.

6. Lembre-se também. Você não é ministro. A Bíblia só chama de ministro aqueles que pregam a Palavra: OS PRESBÍTEROS (1Co 4: 1-5).

7. Não tente induzir as pessoas ao emocionalismo. Isto é pecado e perigoso. Mas, ajude-as a entender o que está sendo cantado naquele momento. De forma simples e dinâmica, motive-as a perceberem os princípios da Palavra de Deus aplicada de forma resumida através apenas da música.

8. Não transforme a liturgia em um show. Cuidado com o tempo usado para o momento dos cânticos. Seja didático e como já disse, dinâmico. O momento do louvor por meio da música é um preparo para nos conduzir a atenção quando a Palavra for pregada. Não cante várias músicas no mesmo momento para não cansar as pessoas.

9. Seja discreto no falar e no VESTIR. O culto é para Deus e não para você. Não chame a atenção das pessoas. Elas devem voltar toda atenção a pessoa de Cristo. Como já disse antes, neste aspecto, as vezes trazemos o carnaval para dentro do culto, não é verdade?

10. Cuidado com as letras e os estilos musicais. Quanto a letra, existem músicas que explicitamente são heréticas e absurdas, mas cuidado com aquelas que mesmo que mencionando um texto bíblico ainda sim, a intenção do autor é que define a doutrina ou teologia ensinada naquela música. Quanto aos estilos musicais, você deve perguntar a si mesmo: "Mesmo que certos estilos musicais não sejam pecaminosos em si mesmos, qual deles é apropriado para o culto solene?

Em suma: A música no culto, e até mesmo o retiro espiritual não são para o entretenimento, mas para envolver e ensinar as pessoas a Palavra de Deus. Cante a Palavra!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A INFLUÊNCIA DA "MISSA" DE LUTERO NA ADORAÇÃO CONTEMPORÂNEA

Lutero pregando em uma "missa" no castelo de Wandburgo
No artigo anterior foi abordado sobre a nomenclatura usada por Lutero para o culto solene. Lutero manteve o termo missa, mas, com outra aplicação teológica. Enquanto a igreja católica romana entendia que a missa (a cerimônia cristã) tinha o efeito sacrificial e salvívico ( a missa só tinha validade quando presidida por um sacerdote romano e a ministração da eucaristia como dos outros sacramentos), Lutero repudiou este pensamento, mas manteve o termo “missa” quanto ao momento solene para a adoração. Antes de tudo, como já foi dito antes, Lutero resgatou a necessidade de centralizar a pregação da Palavra no culto, aboliu diversos elementos e símbolos que estavam fora dos padrões bíblicos e reformulou o modelo de liturgia para diversas igrejas espalhadas pela Alemanha e outras regiões da Europa.


Contudo, Lutero entendia que o propósito do culto não tinha apenas o seu aspecto objetivo, mas também subjetivo. O aspecto objetivo tinha como base a centralidade da pregação do evangelho. O aspecto subjetivo era o envolvimento de cada participante em corresponder com a mensagem da Palavra. Para Lutero o culto tinha como objetivo a comunhão dos fieis. Enquanto a igreja romana entendia que o culto tinha seu efeito sacrificial Lutero afirmava que o seu efeito espiritual estava na participação dos membros para responder a mensagem transmitida por Deus por meio de sua Palavra. O elemento cúltico que claramente expressava este conceito missal (ideia de celebração e comunhão) era a eucaristia que posteriormente foi renomeado pelos reformados de a ceia do Senhor.

Ainda quanto ao aspecto subjetivo, Lutero entendia que tudo quanto a Bíblia não proibia de forma direta como elementos, símbolos ou métodos aplicados ao culto poderiam ser usados desde que, fossem aplicados de forma apropriada, com reverência e sem contrariar os princípios fundamentais do evangelho. Desta forma, a “missa” (a celebração cristã que unem todos os cristãos solenemente a ter um encontro com Deus) tem como significado a comunhão.

Creio que outro ponto a ser destacado, é o fato de Lutero não ter abolido todos os ritos e objetos considerados sagrados. ainda se manteve a prática de acender velas, apesar da retirada das estatuas de santos e imagens da virgem Maria, ainda se manteve o altar adornado de velas a cruz e no lugar de algum santo, a Bíblia aberta em Romanos 1: 17. Os ministros luteranos até os dias de hoje ainda usam batinas e estolas que se assemelham aos dos sacerdotes romanistas. 

Quais considerações podem ser feitas em relação a este pensamento de Lutero? Em primeiro lugar, a sua influência teológica no meio evangélico em nossos dias. O aspecto teológico tem haver com o objetivo e motivação em se realizar o culto solene.

É comum nas igrejas, às pessoas argumentarem na mesma linha quanto ao objetivo do culto solene. As “celebrações” cristãs tem o fim de promover um encontro dos participantes com Deus por meio de todas as atividades e símbolos usados na adoração. Pensamentos como: “Eu preciso sentir a presença de Deus senão o culto não tem o seu efeito espiritual.” Veja ainda que, os mesmos acréscimos aberrantes inventados e admitidos pela igreja na idade média têm retornado ao meio evangélico de nossos dias. O culto só tinha efeito espiritual se o participante recebesse os sacramentos pela ministração e mediação do sacerdote romano.  

Em segundo lugar, temos a influência prática e histórica na forma como os evangélicos realizam seus cultos, ou seja, os métodos e os elementos aplicados ao culto. Creio que o pensamento de Lutero quanto ao propósito e motivação do culto não determinou precisamente o modo como as igrejas de nossos dias aplicassem corretamente os elementos e a forma bíblica de adoração a Deus. o pragmatismo e o pluralismo religioso influenciou fortemente o movimento evangélico dos nossos dias. A subjetividade, as experiências individuais e o emocionalismo tem tomado conta do interesse das pessoas em frequentar os cultos de suas respectivas igrejas.

Em geral, tem-se justificado certas práticas e elementos acrescidos ao culto na mesma linha de argumentação de Lutero: Se Deus em sua Palavra não proibiu de forma explicita tal elemento ou método então podemos usa-los para a adoração pública. De alguma forma, fazendo justiça ao pensamento de Lutero, em nenhum momento ele sugeriu um modelo de culto desorientado ou desordenado onde qualquer pessoa poderia fazer o que bem entendesse. Entretanto pode-se perceber a influencia teológica como prática de seu pensamento sobre adoração quando ele definiu o culto como sendo o ato de comungar, ou seja, o momento da missa.

Uma missa tecno dance luterana em
Estocolmo na Suécia
Entretanto, é preciso salientar que existe uma diferença muito grande em relação aos dias de Lutero e os nossos dias quanto a esta situação. Lutero estava reformando a igreja. Hoje, estão desviando a igreja. Lutero não admitia qualquer acréscimo ou prática litúrgica sem o crivo das Escrituras. Hoje, estão desprezando as Escrituras. Lutero entendia que o principal ato do culto era a pregação da Palavra. Hoje não existe mais pregação da Palavra em muitos cultos “evangélicos”.  

Qual a diferença de um culto “evangélico” acrescentar ritos sincréticos e místicos em relação à igreja romana que usava os mesmos artifícios derivados do paganismo oriental e ocidental do mundo antigo? Qual a diferença das igrejas “evangélicas” que admitem como elementos de culto as danças em vez da reverência diante de Deus, o palco em vez do púlpito, os talk shows, as profecias e revelações extras bíblicas em vez da fiel pregação da Palavra, uma tonelada de música para lavagem cerebral em vez de um culto consciente e racional, em relação às missas realizadas em latim, o conceito propiciatório nos sacramentos especialmente a eucaristia, as indulgências, o sacerdote como intercessor além de Cristo para expiação dos pecados, as bulas e encíclicas papais como autoridade revelacional e divina além das Escrituras?

Você vê alguma semelhança? Pois é, qualquer semelhança não é mera coincidência.  

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

PENSAMENTO DE LUTERO SOBRE ADORAÇÃO - I. A "MISSA" EVANGÉLICA

Creio que a pergunta em relação ao pensamento de Lutero sobre adoração é, Qual deveria ser a primeira mudança para estabelecer um modelo de culto fundamentado nas Escrituras? Logo de início, vejamos a nomenclatura usada para a adoração pública conforme o reformador. Em suas palavras, Lutero escreve ao seu amigo e colega de ministério Nicolau Hausmann, pastor da Igreja de Zwickau: Por isso, amado Nicolau, conforme pediste tantas vezes, queremos tratar de uma forma evangélica de celebrar a missa (como dizem) e de comungar (Martinho Lutero, Obras Selecionadas - Vol. 7, p. 156).


Comecemos pela nomenclatura usada por Lutero em relação a cerimônia cristã para adoração pública: Missa. Você possivelmente está perguntando: Mas, se Lutero manteve esta nomenclatura para designar a adoração pública na igreja houve alguma mudança significativa para um culto bíblico? Sim, mesmo que não pareça, houve mudanças significativas. Entretanto, é importante entender por que Lutero manteve o termo "missa".

Em Primeiro lugar, devemos lembrar que Lutero não desejava de imediato romper com a Igreja Católica Apostólica Romana. De início, sua preocupação era promover reforma religiosa em pontos fundamentais em questões doutrinárias e eclesiásticas. Tendo consciência de que suas publicações e posicionamentos teológicos provocariam toda a Europa seja do lado romanista como do que apoiaria a reforma, Lutero foi muito tímido e cauteloso, como ele mesmo disse em sua carta ao amigo Nicolau.

Em segundo lugar, não podemos descartar o contexto religioso e histórico em que Lutero estava inserido. O termo 'missa' do latim "missae", que significa; celebração e comunhão, fazia referência aos ritos cúlticos e as cerimônias da igreja romana. A missa (equivalente a culto) só tinha validade e efeito espiritual nos fieis se fosse celebrado os sacramentos especialmente a eucaristia. Lutero sendo de influência monástica (agostiniana) ainda era influenciado pelo espírito de sua época e desvincular-se repentinamente disso seria impossível. Era natural que o início da reforma fosse conduzido pela providência divina em mudanças essenciais, mas com um passo de cada vez ao longo dos anos.

Mas, como disse antes, houve mudanças significativas na forma de adoração. Lutero manteve o termo "missa" destacando o aspecto espiritual do culto público que, para ele, se dava na comunhão dos santos com o seu Deus por meio da pessoa e obra redentora de Cristo. Lutero, de imediato, aboliu da "missa" todos os ritos, símbolos, objetos, cantos, preces e rezas que fizessem alguma alusão direta ou indireta a missa como meio propiciatório, ou seja, por causa da ministração dos sacramentos a missa romana tinha o efeito salvívico nos fieis. Era o que Lutero e os cristãos de sua época diziam ser a missa sacrificial.

Ele mesmo disse:

"Por isso, confessamos em primeiro lugar que nem jamais foi nossa intenção abolir totalmente todo o culto a Deus, mas apenas purificar novamente esse que está em uso, mas que está viciado pelos piores acréscimos, e mostrar o uso evangélico. Pois, não podemos negar que a missa e a comunhão no pão e no vinho é um rito divinamente instituído por Cristo e que foi observado, primeiramente no tempo de Cristo e depois no tempo dos apóstolos, da forma mais simples e evangélica, sem qualquer acréscimo. No Entanto, no decorrer do tempo, foi ampliado por tantas invenções humana que, em nossos dias, além do nome da missa e da comunhão nada restou (Martinho Lutero, Obras Selecionadas - vol. 7, p. 157)." Neste aspecto, veja que Martinho Lutero estabeleceu o que podemos entender e como ele mesmo denominou a "missa" evangélica.

Todo cuidado é pouco quando julgamos os fatos que procederam a reforma com Lutero. De fato, o termo "missa" foi desvinculado pelos reformados especialmente João Calvino por uma questão muito simples e forte; a expressão missa está carregada e impregnada com os princípios e a tradição dogmática dos romanistas. Contudo, Lutero repudiou com todas as forças o conceito sacrificial e intercessório do clero como sendo o culto a Deus.

E
m suas palavras, ele condenou a missa romanista chamando-a de esfarrapado e abominável cânone de missa, coletado das fossas e cloacas do mundo inteiro. Ainda, nos mesmos escritos a Nicolau chama o clero da igreja romana de celibatários ricos, ociosos, poderosos, voluptuosos e imundos, como derradeira devastação (Martinho Lutero, Obras Selecionadas - vol. 7, p. 158). Concluo que mesmo sendo estas mudanças litúrgicas do culto mais lenta e menos agressiva, ainda sim, seria natural que Lutero desejasse a purificação da Igreja em vez de dividi-la.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

PENSAMENTO DE LUTERO SOBRE ADORAÇÃO - INTRODUÇÃO

Formula Missae et Communionis
A meu ver, mesmo que inacabado Lutero foi quem deu início ao processo de reforma no resgate do culto com base nas escrituras. Pode-se afirmar que a partir de 1523 com as devidas modificações na liturgia da missa romana, a igreja começou sua caminhada rumo ao culto evangélico, ou seja, o culto fundamentado no evangelho. Com a  publicação da formulário de culto, a Formula Missae et Communionis, pode-se perceber que o reformador propõe de imediato consideráveis mudanças à forma de culto solene. Contudo ambiguamente, Lutero manteve algumas tradições e práticas presentes na missa das igrejas católica romana e ortodoxa, mesmo assim, Lutero foi uma peça fundamental neste processo.

Segue um breve resumo histórico:

Até 1522, Lutero não estava tão preocupado com a necessidade de se instituir um modelo formal de liturgia e celebrações religiosas. Fato este que muitos dos pastores de diversas cidades na Alemanha, por diversas vezes insistiam que Lutero publicasse uma fórmula do culto que estabelecesse um padrão entre estas igrejas sob influência da reforma em Wittenberg. Até mesmo ao seu amigo Nicolau que o solicitando persistentemente, negou inicialmente tal pedido justificando que primeiro não era dado a instituição e as burocracias eclesiásticas e, em segundo, Lutero dizia não ter condições técnicas e musicais para produzir tal fórmula. Mas, creio que sua preocupação maior pudesse ser o receio de reformular o culto solene acrescendo outras inovações e modismos que pudessem desviar os crentes do evangelho como fazia o clero romano.

Entretanto, havia um grave problema naqueles primeiros anos de reforma na Alemanha. O povo começou uma caçada violenta aos sacerdotes católicos e total vandalismo as edificações e templos da igreja romana. Havia ainda divergências entre vários grupos em diversas questões doutrinárias especialmente a forma de culto, questões sobre o baptismo e a ministrarão da ceia. Lutero se vê obrigado a retomar as rédeas em Wittenberg primeiro na pregação e ensino da Palavra. Logo também viu a necessidade do povo ser instruído em uma forma de culto sem o misticismo e o paganismo dos romanistas como também a rejeição de todas as tradições e práticas religiosas que no entender de Lutero, não eram saudáveis.

Em 23 de fevereiro do mesmo ano, Lutero apresentou as primeiras ideias para a reformulação dos cultos e as celebrações religiosas realizadas durante a semana sendo cauteloso por causa da reação violenta do povo aos padres e locais sacros da igreja como também aguardando uma posição definitiva do príncipe eleitor quanto às mudanças necessárias para promover uma fé saudável entre os fieis. Em 11 de março do mesmo ano foram eliminadas as chamadas missas diárias sendo substituídas por reuniões matutinas de oração em determinados dias da semana como também a exposição do Antigo e Novo Testamento em reuniões vespertinas durante a semana também agendadas conforme o contexto local.

Em 4 de dezembro deste mesmo ano, seu amigo e também reformador de Zwickau e Dessau, Nicolau Hausmann foi o primeiro a receber a impressão do formulário da missa e da comunhão da igreja de Wittenberg na primeira edição em latim. Lutero enviou junto a esta edição, uma carta dando satisfação concernente ao processo de reforma em Wittenberg como justificativas em relação a suas ideias expressas no formulário de culto. Ele mesmo afirma que estava cauteloso e tímido a mudanças mais radicais principalmente por causa dos que se aproveitavam da situação tensa para com espíritos levianos e fastidiosos que, como porcos imundos, irrompem sem fé e sem discernimento e procuram novidade para seu divertimento.[1] 
No dia 6 de dezembro de 1523, em um sermão, Martinho Lutero faz a explicação da Formula Missae para a sua igreja em Wittenberg. é notóri oque Lutero não se apresentou revolucionário e radical quanto as mudanças que o povo esperava de sua parte. Ainda manteve o termo missa, o uso das vestes sacerdotais, diversas músicas ainda cantadas em latim, o uso do ano liturgico, e alguns paramentos e objetivos templários no culto solene. Contudo, Lutero aplicou modificações fundamentais para que notórias diferenças fossem aplicadas e anunciadas de algum modo a todo o mundo de sua época entendendo que aquela igreja não poderia mais ser confundida com os "ímpios de Roma" como costumeiramente o reformador chamava o clero romano.
Enfim, as mudanças aplicadas no culto solene tinham como justificativa uma adoração com base no evangelho e o abandono de tudo aquilo que transmitia uma ideia de propiciação clerical ou de uma missa sacrificial. As mudanças foram saudadas por todos os presentes no aguardo de que a "missa" evangélica viesse dois anos mais tarde ser toda realizada na lingua alemã.  







[1] LUTERO, Martin. LUTERO, Obras Selecionadas. Vol. 7. Ed. Sinodal e Ed. Concordia. 2000 – São Leopoldo e Porto Alegre –RS. Pagina 156.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O QUE VOCÊ SENTE POR JESUS?

Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.


Filipenses 2: 5
 
O que você sente por Jesus? Você está apaixonado por ele? Sente cólicas por ele? Sentimento errado esse! Paulo nos mostra o que você deve sentir por Jesus. Na verdade a palavra sentimento como se aplica em nossos dias não é adequada ao significado deste texto bíblico. Paulo, na verdade usou a palavra pensamento. O texto bíblico no português pode ser assim: “tende em vós o mesmo pensamento que houve também em Cristo Jesus”. Faz muita diferença a aplicação do texto quando descobrimos o sentido original das palavras e expressões bíblicas.
Então, o que você deve sentir por Jesus? Ou a pergunta de forma mais precisa é, O que você deve pensar por Jesus? Não estamos falando apenas do aspecto intelectual, das ideias teorizadas sobre o Jesus histórico, mas estamos tratando de um sentimento que é produzido de forma racional na mente de todos os que verdadeiramente amam Jesus. Paulo está falando do estado de humilhação de Cristo. Para ser mais preciso na expressão de Paulo vejamos está versão: “tende em vós o mesmo pensamento modesto que também houve em Jesus”. Agora fez diferença para você qual o sentimento que você deve alimentar por Jesus?

Vamos a aplicação. Que tipo de sentimento você alimenta no culto solene a Deus? Aqui detectamos um sério problema no uso da música na adoração a Deus. As pessoas estão deliberadamente se expressando a Deus com delcarações perigosas e comprometedoras. O critério usado para tal expressão de sentimento em suas músicas religiosas é o padrão de elogio que elas acham ser correto. arrisco-me a dizer que o tipo de elogio e afetividade que elas expressam a Deus é o mesmo que elas desejam receber dos outros se é que já não o fazem.

Vamos a uma comparação inevitável. Uma música muito conhecida no meio evangélico diz:

Abra os meus olhos Senhor
Abra os meus olhos Senhor
Quero te ver
Quero te ver

Exautado sobre o céus
Brilhando a luz da Sua Glória
Derramando amor e poder
Pois tu és santo santo santo

Quero te ver
Quero te ver
Quero tocar
Quero te abraçar
Quero te ver

Note o tom religioso e sentimental usado nesta música. Sei que muitos de vocês vão me repudiar por tal comparação. Mas, não tem como fugir da realidade e da própria verdade aqui evidenciada. este é um dos vários cânticos aberrantes que predomina nos cultos evangélicos. Ela expressa uma declaração suicida daqules que a cantam em seus cultos. Precisamos ler com mais atenção os salmos e aprender com eles como devemos nos expressar na presença de Deus. Não peça para ver a Deus senão você morre! Não peça para tocar em Deus e muito menos abraça-lo senão você será fuminado (Ex 33: 18-23; Jo 1: 18; 1Tm 6: 16)!

Que tipo de sentimento você deve alimentar sobre Deus? Não anulando que inevitavelmente devemos expressar a nossa afetividade por Deus, mas Paulo trabalha isto de maneira correta. Devemos pensar e agir conforme Jesus. Jesus se humilhou, se tornou homem se expondo a todos perigos, sofrimentos e males por causa dos nossos pecados. Jesus se submeteu a todo o rigor da lei inclusive o castigo que ela anuncia: a morte de cruz. Jesus foi totalmente obediente ao Pai. Jesus foi humilde.

Em vez de você sentir uma apaixonite aguda e sem sentido por Jesus, humilhe-se diante de Deus (Tg 4: 6-10). Arrependa-se de seus pecados. Cante e toque canticos e hinos que falam da santidade de Deus de modo que isto cause vergonhe e tristeza pelos seus pecados. Cante a nessecidade de obedecer e amar mais a Palavra de Deus. Alimente uma afetividade saudável e bíblica por Jesus em sua adoração pública. Cante a Palavra!

 
 
 


domingo, 16 de dezembro de 2012

CUIDADO COM AS CANÇÕES DE CHUVEIRO NA ADORAÇÃO!

Em geral, vários grupos, ministérios de louvor, bandas e cantores famosos espalhados pelo Brasil tem realizados seus Workshops além dos shows gospels em suas turnês. Eles estão implantando uma mentalidade muito perigosa em seus treinamentos intensivos de finais de semanas.

O alerta que deve ser soado é no conceito de adoração aplicado no louvor congregacional. A galerinha em geral está aprendendo por ae que adoração é conectar-se com Deus e a música é o canal que Deus nos deu para exprimir todas as nossas emoções na adoração a Ele. Desta forma, para eles, a adoração a Deus é uma experiência subjetiva que deve sair de seu próprio coração. Isto, segundo eles, depende de sua disposição e vontade para que Deus seja adorado.

Isto é muito perigoso e totalmente fora das escrituras. Primeiro que adoração não significa conectar-se com Deus, mas é atribuir a Deus de forma racional todo reconhecimento de Sua pessoa, de seus atributos e obras de Sua mãos. A adoração a Deus não é uma ação meramente subjetiva, mas é objetiva. O foco da adoração a Deus é a obediência a Sua Palavra. Por isso, Deus é quem nos determina o modo como Ele quer ser adorado e se Ele aceita ou não a nossa adoração. E isto está na Palavra. A partir deste ponto é que se entende o propósito da música no culto. Ela nos leva a refletir com a consciência a necessidade de aprender e se envolver com as escrituras.

Mas, quanto ao problema aqui tratado, Permita-me dar um exemplo muito simples. Um determinado cantor que no seu momento a sós, no banheiro de sua casa tomando um banho, resolve compor uma música que expressa naquele momento todas as suas emoções exprimidas relacionada ao seu banho. Envolvendo Deus naquele contexto, o cantor de chuveiro pede a Deus que venha lhe molhar, inspirar, lavar e limpar. Isto é no mínimo muito constrangedor para alguém que dirá para o próprio Deus.

Pior ainda, é se alguém resolve colocar na boca de Deus o que Ele não disse em Sua Palavra. Por exemplo. Já ouvi músicas em que Deus supostamente afirmava que "nós éramos tudo o que Ele sonhava.". Por favor! Deus não sonha e Ele não precisa dormir porque não se cansa. E lembre-se, As escrituras nos diz que não passamos de trapo de imundícia, depravados, pecadores miseráveis que carecem da misericórdia Dele (Sl 130: 3; Is 64: 6-7; Mc 7: 21; Rm 3: 23; Ef 2: 1). Que absurdo alguém afirmar que Deus precisa dele! Se você canta esse tipo de música, simplesmente está dizendo que quer tomar o lugar de Deus. Isto é IDOLATRIA!

O problema é que este tipo de canção predomina em nossas congregações. Parece-me que a ansiedade desesperadora das equipes de louvor em produzir uma "adoração de sucesso" tem motivado a busca por artistas "evangélicos" de grande repercussão para servir de orientação e referência seja no modo como as músicas que se propõe cantar no culto.

Se sua equipe precisa ser ensinada e bem orientada quanto a uma adoração correta com a música no culto solene, deve-se estudar música e teologia, ou seja, é inadmissível que uma equipe de louvor seja medíocre ná sua formação tecnica em música. Pior ainda, como um cristão ser fraco no estudo aprofundado das escrituras. Conhecimento raso da Palavra leva a uma adoração também rasa. Conhecimento errado das escrituras leva a uma devoção e liturgia fora da vontade de Deus. Isto também inclui a música no culto.

Em vez de procurar um artista ou uma banda famosa pra lhe orientar na adoração a Deus, cobre de seu pastor ou pastores que ensinem sobre o que é adoração bíblica. O nosso trabalho como pastores é exatamente este. Ensinar fielmente a Palavra. E por último, seja mais seleto nas escolhas das canções para os cultos em sua igreja. CUIDADO COM AS CANÇÕES DE CHUVEIRO! Cante as Escrituras!

domingo, 23 de setembro de 2012

MÚSICA EM NOSSOS DIAS: ARTE DE PENSAR SEM PROPÓSITO

Esta é a cabeça do músico pós moderno
Para que serve a música? Se você é músico deveria saber disto. Principalmente se for um músico cristão. Antes de mais nada, a tendência é de muitos músicos cristãos não pensarem a partir da Biblia. Pior ainda, de modo geral, não possuem um pensamento sobre o propósito do que fazem através da música. Assim, suas músicas não possuem um pensamento coerente e verdadeiro com fundamentação nas escrituras. Ao invés disso, cantam e tocam músicas vazias, sem letra, sem palavras, sem lógica em suas idéias e sem qualquer sentido em seu conteúdo.

A música é a arte de pensar. Mas, pensar o que? Depende! Você pode produzir ou interpretar músicas que nos façam pensar sobre as verdades de Deus seja qual for o assunto ou ambiente que é propício a música, ou você pode oferecer qualquer coisa que por mais belo esteticamente que seja, na verdade  não passa de uma overdose mental que levaas pessoas ao prazer em coisas sem sentido. Não é isto que acontece nos cultos em que você toca ou canta?

Se você não sabe, a música é uma excelente ferramente para que as pessoas possam assimilar valores. Veja o conjunto da obra. Um sistema de sons organizados e engrenados em uma sequência ritmica somado as palavras que se sincronizam com este sistema sonoro não apenas transmitem, mas envolvem as pesssoas com pensamentos sobre aquilo que está contido em sua mensagem. Isto é fabuloso! Que engenharia! É fantástico! É assombroso! Imagine o que se pode fazer através da música tocando e cantando as escrituras. As pessoas serão bombardeadas em sua mente com as verdades de Deus.

Mas infelizmente os músicos de hoje não são como os músicos de séculos atrás. Bethowen definiu a música como a arte de manipular a alma. De certa maneira é exatamente isto. Os artistas não almejavam a fama e o prestígio pelas suas performances, mas queriam penetrar à mente de seus ouvintes com suas ideias. Ao contrário, muitos músicos atuais desejam ser enaltecidos em si mesmos, mal sabem que  serão esquecidos assim como suas performaces, só restarão as ideias tanto boas como ruins. Pior ainda, é possível que nem mesmo o conteudo de suas obras perdurem ao menos meio século de existência e influência na sociedade e na igreja.

Arrisco-me a dizer que nossa época na história será conhecida como um período filosófico cujo pensamento, o pós- moderno, foi o tempo em que o nada era tudo o que se podia pensar e produzir. Ou seja, a época em que todos não pensaram em "nada" e não fizeram "nada". Isto, justamente, porque o pós modernismo com seu relativismo repugnante e seu pluralismo sórdido elevam obras sem sentido e sem propósito. Senão, o que pensar de nossa época?

Desta maneira, o músico cristão deve estar atento e desconfiado com as tendências de sua época. Ser cristão pressupõe ser inteligente no que pensa e faz. A fonte de todo conhecimento e pensamento que nos dá este discernimento (que é a iluminação do Espírito Santo) está nas escrituras. Portanto, é necessário uma consciência crítica e formada pelo genuíno pensamento cristão. Pense como cristão, seja um músico inteligente, use a música para levar as pessoas ao pensamento cristão. Assim, cante a Palavra!